domingo, 17 de julho de 2016

Palácio da Comenda


Hoje trago-vos o que, em tempos, foi um refúgio para Jacqueline Kennedy, logo após o assassinato do seu marido, na altura Presidente dos EUA, John Kennedy (1963). O Palácio da Comenda, localizado na Serra da Arrábida, encontra-se no topo de um monte, com uma vista deslumbrante para o Rio Sado. O edifício, que anteriormente pertenceu ao Conde D’Armand, deparou-se com o abandono em 2009, ano em que o seu proprietário António Xavier de Lima faleceu.


Estima-se que o Palácio é originário do século XVIII, tendo sido residência da mais alta Realeza Europeia, derivado não apenas à sua localização, mas também às características naturais do espaço envolvente. Em 1848 foi adquirido por D. Maria, Rainha de Portugal. Mais tarde, a 9 de Março de 1872, por razões que desconheço, passa a pertencer ao então ministro de França em Lisboa, Abel Henri Armand. Actualmente pertence à família Xavier de Lima, que obteve o imóvel na década de 1980.


Mais uma vez, encontramos o nome de Raul Lino, arquitecto de renome, considerado um dos mais notáveis do século XX, associado à reconstrução deste edifício. Existe uma história popular que retrata um pedido singular feito pelo Conde D’Armand, ao arquitecto : que antes de começar a projectar a construção, o arquitecto dormisse naquele espaço uma noite ao luar. O pedido foi aceite e daí resultou o Palácio da Comenda.


Henrique das Neves, no jornal Gazeta Setubalense, retratou o Conde D’Armand: “De chapéu de grandes abas, uma vara na mão e botas altas é assim que encontramos o sr. Conde, fidalgo de primorosa educação, percorrendo esta sua propriedade, que ele ama. Considero-o um artista-filósofo. Nas horas de calor, enquanto descansa, tira da algibeira o seu Virgílio e assim se deleita sub tegmine fagi, imaginando ter diante de si, quando ergue o olhar do livro, as verdadeiras paisagens que acaba de ver tracejadas naquelas églogas. Do sr. Conde de Armand direi ainda de minha lavra: foi uma homenagem que prestou à classe dos arquitectos portugueses, confiando a um deles a dispendiosa edificação da sua nova casa da Comenda. Suspeito que não terá de arrepender-se. Algum português talvez haja que, no seu caso, tivesse mandado vir um arquitecto francês”.


O Conde Armand, Abel Henri George, faleceu no final de Abril de 1919, passando a propriedade para os herdeiros: a esposa, Condessa de Armand, Françoise de Brantes, e cinco filhos. Mais tarde, em 1952, o registo da propriedade foi feito em nome da Sociedade Agrícola da Quinta da Comenda de Mouguelas, constituída pelos descendentes de Abel George. Nos anos 80,como referi anteriormente, a Quinta da Comenda foi adquirida por António Xavier de Lima, que, em conversa com o jornal O Setubalense, publicada na edição de 17 de Abril de 1989, disse: “Enquanto a Comenda for minha, nenhuma árvore será derrubada”. Com efeito, uma das apostas levadas a cabo pelo Conde Armand no início do século XX foi o da riqueza da flora, quer pela preservação das espécies existentes, quer pela plantação de outras. Henrique das Neves chamava a atenção no seu artigo para o parque que o Conde pretendia construir e para uma plantação “de cerca de 1000 pés de palmeira” que tinha visto a cerca de um quilómetro da residência da Comenda.

O Palácio é constituído por 26 quartos e tem acesso privativo à praia. Sabendo das movimentações para uma futura venda da propriedade, a Câmara Municipal de Setúbal deu inicio, em Fevereiro deste ano, ao processo de classificação do Palácio como imóvel de Interesse Nacional, tendo como objectivo evitar a sua destruição e degradação, apesar da mesma já se encontrar em estado avançado. Muitos dos painéis azulejares, da autoria do ceramista José António Jorge Pinto, estão em estado de deterioração, por todo o edifício. 

Deixo-vos, antes de mais e em jeito de complemento, este magnifico trabalho realizado pela "Spectro Filmagens", que inclui não apenas o Palácio, mas toda a sua envolvência!


Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=5EDafULxJnk


























Fonte: http://www.urbiliving.com/imovel/2755871/palacio-da-comenda-serra-da-arrabida-setubal-setubal









                                                                                                                   

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Convento de Nossa Senhora do Desterro


Enquadrado numa zona panorâmica privilegiada, encontra-se o Convento de Nossa Senhora do Desterro. Estas ruínas, classificadas de interesse municipal, foram outrora um exponencial Convento, erguido no século XVII, mais precisamente em 1631, por Pêro da Silva, que posteriormente assumiu funções de Vice-Rei da Índia. 

Como qualquer lugar místico, também este edifício histórico é detentor de uma lenda que dita que "A fundação deste convento se deve ao cumprimento de uma promessa, feita no alto mar por dois navegantes que se achavam em perigo, de construírem ambos uma igreja no lugar da terra de Potugal que primeiro avistassem do mar". Diz a lenda ainda que "O fundador trouxera consigo da Índia uma pequena imagem da Nossa Senhora, em marfim, imagem que, depois da sua morte, os frades veneravam como relíquia, até que, para a salvar do vendaval de 1834, um deles a escondeu debaixo do hábito e foi pedir a uma senhora, que a recolhesse".  A imagem de Nossa Senhora do Desterro encontra-se, actualmente, na Ermida de S. Sebastião. 

A Câmara Municipal de Monchique, como actual proprietária deste imóvel, tem projectado a construção futura de uma entidade hoteleira, com o intuito de preservar a estrutura original do Convento.













terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Hotel Golfinho


O Hotel Golfinho, situado nas proximidades do centro histórico de Lagos, ostenta uma das vistas mais cobiçadas, da que já foi considerada a praia mais bela do mundo pela revista espanhola Condé Nast Traveller, a Praia Dona Ana.

Segundo o antigo Chefe de Animação do complexo, José Eduardo Gonçalves, "o Hotel Golfinho encerrou as portas em Janeiro de 2003 [...] Belmiro de Azevedo, através da Sonae Turismo, ficou com o Hotel aquando da aquisição da Torralta, CIF por um valor simbólico, tendo existido de facto um projecto para recuperação e reconversão dessa unidade hoteleira de referência, projecto esse que nunca foi para a frente. O Hotel veio a ser vendido passados alguns anos e continuou sem nada acontecer. O Hotel Golfinho tinha dupla cave, sendo que no Piso -2 se encontrava a Garagem, Zona técnica e Lavandaria, no Piso -1 estavam 3 Salas de Conferências que estavam interligadas, um Bar de apoio às conferências e o Departamento de Animação e Sala de Jogos/Sala Polivalente, também um Bowling com 4 pistas e uma zona com Bilhares e Snookers, existiam também várias pequenas lojas ou espaços de exposição há muito desactivados e um outro Bar de apoio à zona de Jogos. A discoteca situava-se no R/C e entrada era pelo exterior ou descendo as escadas situadas no 1º Piso, junto ao Bar. A Discoteca chamou-se John's Disco durante muitos anos, mas nos anos finais mudou a sua denominação para Akkua Disco."





 Apresentando-lhe uma das fotografias retiradas no local, acrescentou ainda que "Na foto em questão pode ver-se uma parte da Sala Polivalente do Piso -1, local decorado como se de uma Praceta rústica e tradicional se tratasse, lá se realizaram arraiais, eventos gastronómicos e sobretudo actividades de animação para miúdos e graúdos, tais como ginástica, torneios de Jogos de Mesa, Lições de dança, Line-dancing, etc. [...] nem imagina a vida que aquele Hotel tinha e tudo o que lá se realizou... Arraiais de Verão, Marchas populares, Música ao vivo diariamente, Espectáculos variados, Festas temáticas, Reveillons como nunca se viu, nem se vê na cidade. Para além da minha função de responsável pelo departamento de Animação e eventos, colaborei nos últimos anos em que lá trabalhei, com o Departamento Comercial da Sonae Turismo, tendo feito contactos porta a porta com Agências de viagens em Espanha, vendendo as unidades da Sonae Turismo, Algarve, Tróia e Porto e de todas as agencias visitadas, desde a Corunha, passando por Santiago de Compostela até Vigo, de Salamanca e Tordesilhas até Valladolid, e por todo o lado onde passei, por largas dezenas de agências, não encontrei nenhuma em que o Hotel Golfinho não fosse sobejamente conhecido, não tivesse uma excelente reputação e na maioria dos casos até já por aqui tinham passado, conhecendo esta unidade de imenso prestigio de forma presencial."

Questionando o possível motivo de fecho e o porquê do hotel ter sido vendido ao desbarato, José Eduardo Gonçalves afirma que "O Hotel pertencia à Torralta, CIF outrora o maior grupo Hoteleiro do país e empresa bastante promissora, sendo mesmo os grandes precursores do Alojamento Turistico de massas no nosso país, tendo 3 zonas geográficas de grande implantação, a Serra da Estrela, Tóia e o Algarve, nomeadamente Alvor como o grande centro e Lagos complementando. No pós 25 de Abril começaram a sentir-se as primeiras dificuldades, sendo acumuladas dividas, somados litigios com os accionistas e porventura sido vitima de uma gestão familiar pelo menos questionavel o que causou uma situação insustentavel de dividas e falta de cumprimentos. O Eng. Belmiro de Azevedo acabou por resolver a situação pagando um valor simbólico pela aquisição do grupo, assumindo o passivo e salvando o Império da derrocada total e absoluta, contudo a Sonae Turismo foi criada para desenvolver toda uma área desconhecida pelo Império Sonae, Reis das vendas a retalho, principes da celulose e das telecomunicações moveis, com conhecimentos em várias áreas de negócio, mas profundos desconhecedores do negócio do Turismo, principalmente do Alojamento turistico e áreas que o complementam..."