terça-feira, 27 de dezembro de 2016
domingo, 17 de julho de 2016
Palácio da Comenda
Hoje trago-vos o que, em
tempos, foi um refúgio para Jacqueline Kennedy, logo após o assassinato do seu
marido, na altura Presidente dos EUA, John Kennedy (1963). O Palácio da
Comenda, localizado na Serra da Arrábida, encontra-se no topo de um monte, com uma
vista deslumbrante para o Rio Sado. O edifício, que anteriormente pertenceu ao
Conde D’Armand, deparou-se com o abandono em 2009, ano em que o seu
proprietário António Xavier de Lima faleceu.
Estima-se que o Palácio é
originário do século XVIII, tendo sido residência da mais alta Realeza
Europeia, derivado não apenas à sua localização, mas também às características
naturais do espaço envolvente. Em 1848 foi adquirido por D. Maria, Rainha de
Portugal. Mais tarde, a 9 de Março de 1872, por razões que desconheço, passa a
pertencer ao então ministro de França em Lisboa, Abel Henri Armand. Actualmente
pertence à família Xavier de Lima, que obteve o imóvel na década de 1980.
Mais uma vez, encontramos
o nome de Raul Lino, arquitecto de renome, considerado um dos mais notáveis do
século XX, associado à reconstrução deste edifício. Existe uma história popular
que retrata um pedido singular feito pelo Conde D’Armand, ao arquitecto : que antes de começar a projectar a construção, o arquitecto
dormisse naquele espaço uma noite ao luar. O pedido foi aceite e daí resultou o
Palácio da Comenda.
Henrique das Neves, no
jornal Gazeta Setubalense, retratou o Conde D’Armand: “De chapéu de grandes
abas, uma vara na mão e botas altas é assim que encontramos o sr. Conde,
fidalgo de primorosa educação, percorrendo esta sua propriedade, que ele ama.
Considero-o um artista-filósofo. Nas horas de calor, enquanto descansa, tira da
algibeira o seu Virgílio e assim se deleita sub tegmine fagi,
imaginando ter diante de si, quando ergue o olhar do livro, as verdadeiras
paisagens que acaba de ver tracejadas naquelas églogas. Do sr. Conde de Armand
direi ainda de minha lavra: foi uma homenagem que prestou à classe dos
arquitectos portugueses, confiando a um deles a dispendiosa edificação da sua
nova casa da Comenda. Suspeito que não terá de arrepender-se. Algum português
talvez haja que, no seu caso, tivesse mandado vir um arquitecto francês”.
O Conde Armand, Abel
Henri George, faleceu no final de Abril de 1919, passando a propriedade para os
herdeiros: a esposa, Condessa de Armand, Françoise de Brantes, e cinco filhos.
Mais tarde, em 1952, o registo da propriedade foi feito em nome da Sociedade
Agrícola da Quinta da Comenda de Mouguelas, constituída pelos descendentes de
Abel George. Nos anos 80,como referi anteriormente, a Quinta da Comenda foi
adquirida por António Xavier de Lima, que, em conversa com o jornal O Setubalense, publicada na edição de
17 de Abril de 1989, disse: “Enquanto a Comenda for minha, nenhuma árvore será
derrubada”. Com efeito, uma das apostas levadas a cabo pelo Conde Armand no
início do século XX foi o da riqueza da flora, quer pela preservação das espécies
existentes, quer pela plantação de outras. Henrique das Neves chamava a atenção
no seu artigo para o parque que o Conde pretendia construir e para uma
plantação “de cerca de 1000 pés de palmeira” que tinha visto a cerca de um
quilómetro da residência da Comenda.
O Palácio é constituído
por 26 quartos e tem acesso privativo à praia. Sabendo das
movimentações para uma futura venda da propriedade, a Câmara Municipal de
Setúbal deu inicio, em Fevereiro deste ano, ao processo de classificação do
Palácio como imóvel de Interesse Nacional, tendo como objectivo evitar a sua
destruição e degradação, apesar da mesma já se encontrar em estado avançado.
Muitos dos painéis azulejares, da autoria do ceramista José António Jorge
Pinto, estão em estado de deterioração, por todo o edifício.
Deixo-vos, antes de mais e em jeito de complemento, este magnifico trabalho realizado pela "Spectro Filmagens", que inclui não apenas o Palácio, mas toda a sua envolvência!
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=5EDafULxJnk
Fonte: http://www.urbiliving.com/imovel/2755871/palacio-da-comenda-serra-da-arrabida-setubal-setubal
quinta-feira, 3 de março de 2016
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Convento de Nossa Senhora do Desterro
Enquadrado numa zona panorâmica privilegiada, encontra-se o Convento de Nossa Senhora do Desterro. Estas ruínas, classificadas de interesse municipal, foram outrora um exponencial Convento, erguido no século XVII, mais precisamente em 1631, por Pêro da Silva, que posteriormente assumiu funções de Vice-Rei da Índia.
Como qualquer lugar místico, também este edifício histórico é detentor de uma lenda que dita que "A fundação deste convento se deve ao cumprimento de uma promessa, feita no alto mar por dois navegantes que se achavam em perigo, de construírem ambos uma igreja no lugar da terra de Potugal que primeiro avistassem do mar". Diz a lenda ainda que "O fundador trouxera consigo da Índia uma pequena imagem da Nossa Senhora, em marfim, imagem que, depois da sua morte, os frades veneravam como relíquia, até que, para a salvar do vendaval de 1834, um deles a escondeu debaixo do hábito e foi pedir a uma senhora, que a recolhesse". A imagem de Nossa Senhora do Desterro encontra-se, actualmente, na Ermida de S. Sebastião.
A Câmara Municipal de Monchique, como actual proprietária deste imóvel, tem projectado a construção futura de uma entidade hoteleira, com o intuito de preservar a estrutura original do Convento.
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