A casa do Apicultor é uma residência humilde,e de pequenas dimensões, mas aparenta ter sido um lar acolhedor, em tempos. Inserida num local isolado e de uma beleza peculiar, a envolvência torna-se, de facto, o ex-libris desta belissima e pacata moradia.
Compreende-se que era desenvolvida a prática de apicultura, pelo fato que existia no local, mas que à data, já não se encontrava presente. Na existência de dois quartos nesta habituação, deduzi, pelo seu conteúdo, que provavelmente pertencia a um casal, com um(a) filho/a.
Não consegui recolher informação palpável sobre a sua história, de forma que desta vez vos deixarei apenas com o registo fotográfico e um pequeno video.
A casa de clementi, assim baptizada, deve-se ao facto de nesta propriedade se encontrar um exemplar raríssimo, de um piano misto (de cauda e vertical), um Upright grand piano, fabricado na empresa de Muzio Clementi, em 1816. Curiosidade: neste piano existe uma pequena divisão onde poderiam ser colocados os álbuns de música.
Pouca informação consegui recolher, presencialmente, apenas alguns pormenores como o nome de uma das pessoas que lá habitava e de que teriam alguma ligação a música, possivelmente profissional, visto existirem dois pianos nesta propriedade e de que lá vivia um casal religioso, devido a registos fotográficos eà belíssima capela integrada nesta habitação. Entretanto tive o prazer de privar com uma pessoa que os conheceu, que me pôde fornecer alguns detalhes que me ajudaram a contextualizar algumas pontas soltas.
Na casa de Clementi vivia Maria de Lourdes Nobre da Veiga Holbeche Trigoso Hintze Ribeiro Nunes (os três últimos apelidos eram de casada), única herdeira desta magnifica propriedade e o seu marido, Manuel Hintze Ribeiro Nunes. Maria de Lourdes era professora de Solfejo e era detentora de uma fortuna considerável. Nos anos 50, do século XX, era dada catequese e missa na capela, de 15 em 15 dias. Na casa pude encontrar uma fotografia da D. Maria de Lurdes, também apelidada de "Luxa", a receber um ramo de flores, numa festa organizada pelas suas alunas, em gesto de homenagem. O casal não deixou herdeiros directos, nunca tiveram filhos, sendo que a propriedade ficou entregue a um primo. Podemos perceber, com facilidade, que a propriedade já foi alvo de inúmeros saqueamentos e começa a ceder, aos poucos,à sua sorte. Deixo-vos alguns registos. Enjoy ;)
Hoje trago-vos a “Casa do Camponês”, também por muitos conhecida como a “Casa das Bonecas”. As poucas informações que consegui juntar foram, na sua maioria, através de cartas que encontrei na residência.
Nesta habitação vivia um casal, Maria Amélia e Mário Verdelheiro, com as suas duas filhas, Maria Luisa, a mais velha, e Maria Ligia,à qual a maioria das cartas eram endereçadas. A filha mais velha do casal nasceu a 9 de Junho de 1969, portanto se ainda for viva, terá agora 50 anos. O pai era camponês e possivelmente algum dos membros do agregado familiar tivesse alguma ligação a panificação, visto ter encontrado alguns registos no local, mas trata-se apenas de uma suposição.
Voltando às cartas, que me transportaram para uma realidade já praticamente inexistente, caída em desuso e que nos fez perder todo esse encanto que era a expressão limitada por tempo/espaço e por isso mais intensa, impactante. A ansiedade de receber aquele pedaço de papel que nos fazia sentir mais perto das pessoas, sensação essa que hoje não se aplica, pelas variadíssimas formas de comunicação. Mas tão banalizada, que se perdeu um pouco dessa magia, pelo facilitismo. Deparei-me com 12 postais e uma folha com um poema, que se traduziam em cartas de amor de um rapaz de seu nome Paulo José Beja, para a Maria Ligia, a filha mais nova. A primeira com a data de 21 de Abril de 1984. Nessa altura a Ligia teria 14 anos, como referido nessa carta. Pelo que percebi, o Paulo ia passar férias no parque de campismo da Trindade, em Lagos, todos os anos, com a sua família, contando, no que redigia, todas as suas peripécias nesse período e a falta que sentia da sua amada. Um amor adolescente, mas inspirador, confesso.
Descobri também um cheque no valor de 10.000$00, assinado por Norberto Henriques Beja (que julgo estar relacionado ao Paulo, pelo sobrenome), direccionado ao Mário Verdelheiro, com a data de 25 de Setembro de 1962.
Sei que existiam outros registos, cartas e fotografias na casa, incluindo um álbum, mas alguns já não se encontravam presentes e outros mais tarde percebi que não tiveram a devida atenção. Deixo-vos então um pouco do que vi.