domingo, 22 de novembro de 2015

Discoteca Horta 2


Após um breve período de pausa, por razões maiores, trago-vos o que, em tempos, foi considerado paragem obrigatória nas noites algarvias. Atingindo o pico nos anos 70 e 80, a discoteca Horta 2 era estimada como sendo um chamariz, visitada por pessoas vindas de todo o lado, "para dançar ao som dos ABBA". Segundo consta, antes de ser uma discoteca, este espaço era uma casa particular, com moinho, habitada por um casal. Para completar todo este esplendor, nas traseiras da mesma, podemos desfrutar de um por do sol soberbo sob um braço do rio Arade, que se estende ao longo da Horta 2.

Não encontrei qualquer informação acerca da data e o motivo do fecho, mas presume-se que exista ou existisse algum interesse no seu reaproveitamento, visto terem dado inicio a obras de restauro, que entretanto ficaram embargadas. Mais uma vez, desconhecendo a razão de tal.












 Segue uma foto retirada da Web, postada em 2011, apesar de não ter como confirmar, com exactidão, a data em que a mesma foi retirada:

Fonte: http://olhares.sapo.pt/horta-2-foto4702358.html

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Hotel Netto

Como não poderia deixar de ser, e há muito já faltava, deixo uma marca do que foi um dia, um dos hoteis mais afamados de Sintra. Situado em pleno centro histórico da Vila de Sintra, encontra-se o edifício do antigo Hotel Netto, construído no século XIX, em avançado estado de degradação, consequência de décadas de abandono. Existem registos de que, a 3 de Setembro de 1989, o hotel ainda estava activo, devido a uma noticia publicada no jornal correio de Cintra, que dá conta de que ali terá ocorrido um incêncio  “(…) devido ao descuido de uma criada que engomava. Foi extinto pelo pessoal com o auxilio dos bombeiros…” (Azevedo, 1998, p.355). Vim a descobrir que, numa publicação periódica sintrense (jornal O Grilo), existe uma referência, de 1925, a dois proprietários do hotel netto - Romão Garcia Vinhas e José Lopes Alves, os dois de origem galega, sendo que o segundo tomou posse do imóvel por falecimento do primeiro.

Sabe-se, também, que o Hotel Netto foi, em tempos áureos, o local de excelência do escritor Ferreira de Castro para explorar os seus momentos de produção literária, local esse que escolheu residir durante 12 anos.





A 1 de Agosto de 1937, o Jornal de Sintra publicou uma noticia relativamente ao Hotel Netto, elogiando o conforto que apresentava nessa altura, após mudança de gerência "Nestes melhoramentos andou o fino gosto do arquitecto, nosso amigo Sr. Norte Júnior que mais uma vez não deixou os seus honrosos créditos por mãos alheias". O cronista deu continuação ao seu encómio: "A par das dezenas e dezenas de quartos e dos chics «appartments», de janelas rasgadas olhando a luxuriante Serra de Sintra, os prados e vergeis, o mar e a maneira bizarra das povoações limítrofes e por aí fora até ao Convento de Mafra, tudo no Hotel Netto constitui o que se chama uma dulcificante paragem do bem-estar e da saúde que muitos sanatórios portugueses invejariam".

Actualmente, e após concurso público, o imóvel está entregue à Câmara Municipal de Sintra, desde o ano passado. A CMS exerceu o direito de preferência na aquisição do Hotel Netto (por 600 mil euros), impedindo a Parques de Sintra - Monte da Lua, sociedade onde a câmara detém 15% do capital, da compra do mesmo, já há algum tempo planeada. Segundo Basílio Horta, actual Presidente da CMS, em comentários à Agência Lusa, afirma que "A aquisição do Hotel Netto revela que a Câmara Municipal vai assumir as suas responsabilidades na requalificação do centro histórico da vila de Sintra e em todo o concelho". Diz ainda que o projecto vai assentar num conceito inovador na vila, que possui a notória carência de unidades hoteleiras. "Será um Hostel. Vamos oferecer quartos familiares de seis a oito pessoas, quartos individuais e um conjunto de seis suites do mais luxuoso que há". O autarca acrescenta ainda que, pelo sitio onde está, vai oferecer "alta qualidade, mas com preços que não atinjam os valores", deste nível de unidades.

Resta saber o porquê de ainda não se verem quaisquer indícios de possíveis obras no imóvel. Encontrei um comentário num blog a afirmar que ainda não se teria dado inicio devido aos custos elevados para manter a fachada do hotel. Mas isso não deveria ter sido estudado e avaliado de antemão? Ou queriam/querem
repetir o que fizeram com o Hotel Nunes? Mandar mais um marco abaixo e construir algo que descaracterize o meio?


Foto da chegada ao Hotel Netto, em 1942, de refugiados judeus que Portugal recebeu durante a 2ª Guerra, e distribuiu por Sintra, Estoril, Cascais, Caldas da Rainha, Buçaco, Curia, Foz do Arelho e Figueira da Foz/.Foto blog Beijo da terra













quarta-feira, 15 de abril de 2015

Convento de Nossa Senhora do Castelo das Covas de Monfurado


Por entre montes e vales, e ao fim de alguma poeira derivada de estradas batidas e reviravoltas, lá conseguimos chegar ao tão resguardado "Convento dos Monges". A ditar uma nova parceria, estamos também perante uma exploração com uma vertente religiosa, ainda não abordada neste blog. Passemos então ao que interessa!

Segundo uma história corrente, "Nas Covas de Monfurado, Baltasar da Encarnação, juntamente com mais três anacoretas, cumprira «severa penitência de abstinência e oração», no ano de 1713. O seu exemplo alcançou fama em todo o Alentejo e provocou a piedade de muitos crentes, os quais, vindos ao lugar, fixaram a sua habitação em lapas subterrâneas escavadas nas rochas. Os abrigos que estes utilizavam eram minas romanas que se localizam nas proximidades do actual monumento. A veneração foi crescendo e João de Vilalobos e Vasconcelos cedeu-lhes certas terras na encosta da serra, para edificarem uma residência comunitária que acabaria por tomar o nome de Convento de Nossa Senhora das Covas de Monfurado. A primeira missa foi rezada em 1738 e sofreu muitos estragos com o terramoto de 1 de Novembro de 1755. Foi reconstruido e em 1834 foi abrangido pelo Decreto da extinção das ordens religiosas tendo passado para as mãos de privados. Teve, no entanto, culto até ao inicio do século XX, mais ou menos até à Implantação da República". As casas que existiam em volta do Convento terão sido habitadas até pelo menos aos anos 80 do século XX.

Actualmente, apesar da Natureza ter retomado o seu lugar, ainda mantém grande parte da estrutura conventual original. 



















terça-feira, 7 de abril de 2015

Atlantic Park


E desta vez a estrada leva-nos rumo a um parque aquático que julgo ter sido se não o primórdio, pelo menos um dos! Não reuni qualquer informação, na altura, sobre este parque, apenas sabia a sua localização e como estávamos nas redondezas resolvemos ir satisfazer a curiosidade. Como esperado, pouco ou nada encontrámos naquele cenário a não ser um rasto de tristeza, até ela abandonada, no que se tornou um lugar que aos olhos de muitos, sei-o hoje, nada mais é que o memorando de um aglomerar de tragédias.

 Segundo a TSF, o "Atlantic Park", conhecido naquela época como "Wet and Wild", foi inaugurado em 1991. Compreendia todo o género de escorregas, um Kamikaze, um Rio Grande, uma piscina de mergulho e uma piscina para crianças. O parque tinha também um recinto, onde na época alta se poderia assistir a espectáculos diários. 

Ao longo da pesquisa, fui encontrando suposições e afirmações sobre uma possível morte, de uma criança, que mais tarde veio a ser confirmada (não na sua totalidade, uma vez que apenas há uma referência à região), no seguinte video que vos apresento: 


O "Atlantic Park" foi alvo de incessantes roubos e vandalização, ao longo dos anos, chegando a registar-se um incêndio nas instalações, em 2009. Houve um caso e este sim, confirmado por residentes, de um homem que foi vitima de electrocussão, ao tentar roubar fios de cobre do local.






















 



sábado, 4 de abril de 2015

Aldeamento Vale Navio


Numa visita recente ao Algarve e com um roteiro especialmente preparado, lá embarquei numa expedição via Vale Navio. Sabia da existência de uma urbanização abandonada, mas nunca imaginei encontrá-la em tamanho estado de degradação. Assoberbada não só pelo tempo, mas igualmente pela mão humana, é palco de inúmeras práticas de airsoft e pelo que observei, abrigo para almas menos afortunadas. Já pouco de belo resta neste espaço que outrora foi um dos primeiros e maiores empreendimentos de "time-sharing" nesta região.




O Aldeamento Vale Navio, detentor de 300 apartamentos e 95 moradias, foi projectado pelo arquitecto Ramos Chaves, em 1972, com o intuito de explorar um conceito com nuances ambientalistas, unificando a natureza e o turismo.




Entre 1985 e 1992, as transacções comerciais de Vale Navio atingiram o pique, sendo ditada como a época da "galinha dos ovos de ouro". A comercialização rendeu cerca de 45 milhões de euros, mas nem 14 milhões chegaram a entrar nas contas da empresa. A restante quantia, movimentada através de empresas "off-shore", desapareceu em comissões de venda e promoção, não entrando sequer em Portugal. Por todos estes motivos e mais alguns, que sempre escapam, mesmo aos olhares mais atentos, este empreendimento estaria, já nesta época, confinado a um futuro pouco risonho. 



Em 1984, o conceito que visava a preservação do meio envolvente passou para segundo plano, tendo sido tomada como prioridade a rentabilização do negócio. O projecto alterou-se, determinando a construção de mais 16 vivendas, dois blocos de apartamentos e um aparthotel, ocupando assim a dita "zona verde" , prevista inicialmente.




Já em 2003 o aldeamento se encontrava entregue ao abandono - janelas e portas arrombadas, o interior das casas vandalizado, jardins maltratados, piscinas sem água. No entanto, nesse mesmo ano, estava a ser construído um aparthotel. "A construção foi licenciada com base num alvará de 1989, mas o edifício está longe do projectado para aquele lugar, já em 1972 - é muito maior. Ao lado, no lote 102, beneficiando também de um alvará, datado de 1984, está previsto um aparthotel, com 124 apartamentos. Estas parcelas de terrenos, alvo dos apetites imobiliários imediatos, tinham sido vendidas antes do início do processo de falência do Vale Navio" (Público, 2003)




Ramos Chaves, o arquitecto que visionou o Vale Navio, nenhuma intervenção teve nesta última fase, afirmando ser "uma tristeza" o desenrolar do processo urbanístico do aldeamento.